Água da chuva - Filtro de folhas

Olá pessoal.

Hoje mostraremos como fazer um filtro para impedir a entrada de folhas e sujeira nos reservatórios de captação de água da chuva. O nosso sistema foi montado na oficina de nosso sítio, usando apenas uma das águas do telhado. Lembrando que para captar água da chuva, basicamente precisamos de um telhado, calhas e reservatório.

Para você também fazer um filtro como este, o material necessário será a tubulação em PVC, tela plástica, serra de ferro, lixa, durepox e fogo. A imagem a seguir mostra o filtro pronto.


Este filtro deverá ser instalado na vertical, para a saída de folhas da tubulação, permitindo apenas a passagem de água, conforme a imagem a seguir. Observe que ele está à direita, na vertical e logo após ele, há um "T" invertido com um redutor de 100mm para 50mm. Isto será assunto para outra postagem nossa, que servirá para um pequeno descarte de água suja.


Agora vamos ao esquema de montagem do filtro.

O fogo na verdade, pode ser de uma boca de fogão, uma pequena fogueira, folha de jornal etc. Na verdade ele servirá para amolecer a barra de PVC para encaixar uma parte na outra.  A próxima imagem mostra uma borda em durepox para dar acabamento e facilitar a saída das folhas da tubulação.

A imagem seguinte, é uma vista superior, para melhor entendimento do funcionamento do sistema. 

Não sabemos se nossa tela é muito fina, ou se fizemos o ângulo de corte do tubo inferior, muito verticalizado. Já percebemos em funcionamento, que nosso filtro acaba deixando muita água sair pela boca de limpeza, o que é indesejável pois não otimiza o sistema.

Vivência agroecológica - Calfitice

     Com nome de origem na língua espanhola, esta técnica de acabamento bastante difundida entre os agroecólocos / permacultores e conhecida como calfitice (junção das sílabas iniciais dos nomes dos materiais que compõem a técnica), possui uma versatilidade incrível na sua aplicação, podendo ser usada dentro e fora de edificações.
     Cal + Fibras + Tierra + Cemento = Calfitice. Trata-se de uma argamassa preparada com 7 partes de terra, 1 de cimento, 1 de cal, fibras e água. A terra confere o volume principal da argamassa, além de trazer a textura e as cores da natureza para a técnica, garante que a maior parte da massa seja executada de forma a causar o menor impacto ambiental possível na construção e no meio ambiente. Já o cimento, reage com a água e forma os microcristais, agregando a resistência à compressão e as fibras trazem resistência à tração, que é solicitada durante a cura do cimento, evitando a formação de trincas. O papel da cal, é hidratar e retardar a cura rápida do cimento, permitindo que sua aplicação ocorra de maneira homogênea e sem pressa.
     
     Na vivência ocorrida na Estação Borá de Agroecologia, uma das atividades foi dar acabamento nas paredes de alvenaria, que estavam parcialmente executadas, necessitando de reboco e acabamento na junção com as garrafas e com os vidros usados de ônibus que fazem parte do projeto de entrada de luz natural na habitação. 

Parede, garrafas e vidro de ônibus sem acabamento
Foto: Jopa

     O trabalho teve início com o anfitrião Fábio Rocha ensinando como seria preparada e aplicada a massa e a tela de juta (fibras naturais) nas paredes, formando então o acabamento em calfitice. Explicado esta etapa, o grupo foi subdividido em três sub-grupos de trabalho, sendo um para coletar a terra, o outro para preparar a mistura da argamassa, e o terceiro para adicionar água e conferir a consistência pastosa necessária à aplicação da mistura nas paredes.

     O grupo responsável pela coleta da terra, teve que seguir algumas dicas do Fábio, que foram de remover a camada superficial do terreno, pois esta apresenta muitas sementes, raízes e matéria orgânica, que são elementos não homogêneos e contaminantes da massa. Após coletar a argila do barranco, o grupo tinha que peneirá-la, para conferir uma granulometria que facilitasse o trabalho de preparo da mistura e também o de hidratála. 

Preparo da mistura, hidratação e pisoteio 
Foto: Jopa

   O motivo do preparo da massa sobre lonas, é a facilidade que temos para poder pisotear e depois virar a massa, popularmente chamado entre os bio-construtores de "fazer o rocambole".

Foto: Jopa

Verificação de consistência e textura
Foto Jopa

   Após o preparo da massa, as paredes devem ser umedecidas, para evitar que a porosidade da cerâmica do tijolo absorva água da mistura da massa e comprometa o processo de hidratação da cal virgem e da mistura e cura do cimento. Após a umidificação das paredes, deve-se iniciar a aplicação da masa sobre as paredes, deixando uma espessura de aproximadamente 3 cm. Todo o trabalho foi orientado e supervisionado pelos futuros moradores, Fábio e Renata, que gentilmente confiaram no grupo, sob a afirmação de que irão habitar em uma casinha que foi feita de forma colaborativa e participativa, por vários amigos. Nas fotos a seguir é possível ver um quarto grupo de trabalho, medindo a parede para cortar o saco de juta e aplicando a massa sobre a parede já umedecida.

Foto: Jopa

Foto: Jopa

     Após umedecer a parede, e aplicar a massa, a terceira etapa é de aplicar as fibras de juta, que não permitirão o surgimento de fissuras e trincas na superfície rebocada. Trata-se de uma técnica muito semelhante à antiga técnica de reboco conhecida como estuque. A seguir um participante coloca uma faixa de fibras sobre a argamassa.

Foto: Jopa

   Na técnica de calfitice a fibra é aplicada posteriormente à argamassa, ou seja, sobre ela. Porém, a mesma deve ser incorporada à massa, e isto é feito com movimentos manuais pressionando a juta sobre a massa ainda úmida. Observem que foram fornecidas luvas de borrachas pelos moradores da Estação Borá, que orientaram a utilização por duas razões, sendo a primeira a necessidade de usar o EPI - Equipamento de Proteção Individual e a segunda, é que a luva de borracha desliza facilmente sobre a juta, facilitando a execução da técnica. Um ponto importante de utilizar a luva como EPI, é o fato de a cal virgem reagir quimicamente com água, fato que leva ao ressecamento das mãos caso não estejam protegidas.

Foto: Jopa

     A medida que a parede ia sendo preenchida, novas faixas de fibras eram aplicadas e imediatamente conectadas àquelas já executadas. É importante ressaltar, que o trabalho deve iniciar de cima para baixo da parede, para evitar estragar e perder o trabalho realizado. 

Foto: Jopa

Foto: Jopa

     A técnica do calfitice pode ser aplicada sobre os mais diversos tipos de técnicas de bio-construção de paredes, tais como fardo de palha (strawbale), taipa de mão (pau-à-pique ou taipa de sopapo), adobe, superadobe, hiperadobe, paredes convencionais entre outras.
     Outro detalhe interessante, é o acabamento nos locais onde estavam as garrafas de vidro. Sobre elas se você observar atentamente nas fotos anteriores, não foi aplicado a argamassa e nem foi pressionada a tela de fibras. este motivo se dá ao fato, de que a fibra será cortada e modelada ao redor da garrafa, conforme pode ser visto nas imagens a seguir. 

Foto: Jopa

Foto: Jopa

Foto: Jopa

Foto: Jopa

Após secar sobre a garrafa, a massa não permite a passagem de luz para o interior da edificação. Para limpá-la, recomentamos a utilização de alguma lâmina metálica, palha de aço e estopa seca. O resultado é o das imagens a seguir. 

Vista externa
Foto: Jopa

Vista interna
Foto: Jopa

O acabamento final, fica muito próximo da imagem a seguir, mas é importante mostrar também, que o processo construtivo de forma participativa, é um processo de ensino aprendizagem. Na última foto deste post, o acabamento em um dos cantos na junção entre a parede e a janela de vidro de ônibus, não foi aplicada a fibra natural, fato que levou ao surgimento de trincas durante a desidratação e cura da massa. Nesta parte foi necessário a remoção do material e nova execução com aplicação das fibras. Esperamos que tenham gostado.

Foto: Jopa

Foto: Jopa







Vivência agroecológica - Produção de café

    Ocorreu durante o feriado de páscoa no município de Ibaiti, localizado no norte pioneiro do Paraná, a primeira Vivência Agroecológica de 2017 da Estação Borá de Agroecologia. O encontro propunha como finalidade aos seus participantes, interagir nas tarefas e planejamentos do dia-a-dia da família, que vive e cultiva a terra de uma forma mais ética e mais justa, dos pontos de vista social, cultural, ambiental, político e econômico.

Grãos de café na agrofloresta
Foto: Jopa

     Seguidores da agricultura sintrópica, que busca imitar a forma como as plantas interagem e se relacionam na natureza, a família Rocha abriu as porteiras do seu sítio para receber pessoas de diversos estados, interessadas em aprender na prática como é a proposta do planejamento agroecológico, que envolve além da agricultura, o manejo de animais, construções ecológicas entre outras práticas, muito semelhantes às formas como a permacultura planeja e trabalha a interação das pessoas com a vida e o meio no qual se encontram.

Reunião antes do manejo
Foto: Jopa

     Os visitantes puderam conhecer e entender como o Fábio e a Laís, produtores de café da mais alta qualidade, interagem com seu cafezal, trazendo para o dia-a-dia conhecimentos adquiridos e propagados pelo agricultor sintrópico Ernst Goetsch. Foi através da consultoria dos engenheiros florestais Pedro Cordeiro e João Minuzzo, seguidores dos ensinamentos do Ernst, que a família começou a imitar em suas lavouras de café, o que a natureza faz na floresta. Começaram elencando quais seriam as plantas de interesse, tais como café, banana, pupunha, mogno africano, macadâmia, erva mate, entre outras espécies e depois planejaram em quais locais da área de cultivo seriam colocadas estas plantas.

Visitantes aprendem como é a agrofloresta
Foto: Jopa

     Adepta tanto do sistema manual como do sistema mecanizado, a agrofloresta da Estação Borá foi reproduzida em linhas que permitem a circulação de tratores em suas entrelinhas, nas quais são produzidas a biomassa que é utilizada no sistema. Nas linhas foram colocadas as plantas de interesse, que se misturam com culturas anuais como milho, feijão, mandioca, inhame, cúrcuma, araruta, etc. Essa mistura traz uma alelopatia de maior qualidade para as plantas, fazendo com que as mesmas se desenvolvam de maneira mais vigorosa e menos suscetível ao ataque de pragas.

Palha sendo levada para as linhas
Foto: Jopa

     Durante a vivência os participantes puderam entender como funciona o manejo do cafezal e sua relação com as demais culturas do SAF, participando diretamente da colheita dos grãos, entendendo assim uma das primeiras etapas da cultura milenar do café.

Colheita do café
Foto: Jopa

Grãos maduros selecionados
Foto: Jopa

     Após a colheita o anfitrião explicou como é feito o processo de limpeza, secagem, seleção, armazenamento e despolpa dos grãos.

Grãos secos e despolpados
Foto: Jopa

     Posteriormente os visitantes presenciaram um momento mágico e talvez o mais significativo, que é a torra dos grãos, ocasião na qual o aroma característico é desprendido e permeia todo o ambiente. A torra dos grãos possui diversos detalhes para que o café não passe do ponto ideal e perca suas melhores características organolépticas, tais como cor, brilho, aroma, textura e sabor.

Fábio torrando café
Foto: Jopa

Torrador de café
Foto: Jopa

Retirada do café do torrador
 Foto: Jopa

Resfriamento do café
Foto: Jopa

Resfriamento do café
Foto: Jopa

Café pronto para moagem
Foto: Jopa



Encontro das Estações

     Aconteceu no dia 19 de abril, na Estação de Permacultura Casa da Vó em Curitiba, a primeira reunião de 2017 das Estações de Permacultura e Agroecologia do Ipepa e  seus integrantes. Na ocasião compareceram Estações da bioregião do litoral, nascentes do Iguaçú e do segundo planalto paranaense. 

     Além da reunião, os integrantes puderam trocar sementes, mudas, produtos, animais e experiências adquiridas e mantidas ao longo da caminhada. Ficou também definido que será criado um cronograma de mutirão entre as Estações e será realizado no meio do ano um PDC - Curso de Design em Permacultura, no litoral paranaense, aguardem!

Abaixo, foto do encontro

Escada de pneus

     Para quem tiver pneus velhos à disposição, uma boa solução para escadas em áreas muito íngremes, é a aplicação deste material de grande durabilidade. Nas imagens a seguir, você pode conferir a escada feita na Estação Jaguatirica de Permacultura, em São João do Triunfo - PR



     Como os pneus que eram recolhidos nas borracharias da região eram dos mais diversos tamanhos, desde carros pequenos até pneus de caminhões, a escada foi planejada de forma a atender o desnível topográfico de acordo com os tamanhos disponíveis. Acima, nas áreas mais íngremes, foram utilizados os pneus de caminhão.

Nas áreas menos acidentadas, a solução foi o uso dos pneus menores, que também foram completados o seu preenchimento com pedra brita, para evitar formação de lama.

     Observem que em determinados locais, parte do terreno precisou ser cortada para acomodar os pneus. A terra removida, foi compactada dentro dos próprios pneus.

#pneususados #escadadepneu #escadaria #sitiojaguatirica #permacultura #ipepa


Reforma de fogão a lenha

     Nesta postagem vamos mostrar como tornar um pequeno fogão a lenha comum, em um fogão com melhor queima de lenha e melhor eficiência energética. Isso significa, em obter um fogão que economiza lenha, atinge altas temperaturas e quase não produz fumaça.
     A grande maioria dos projetos de fogão a lenha, são projetos antigos, que não consideravam a escassez de lenha na natureza e pouco se preocupavam com a eficiência energética. Na reforma que realizamos, apenas utilizamos a carcaça e a chapa do antigo fogão, transformando todo o seu interior em um fogão de modelo Rocket ou Foguete.

Fogão Original

Como era o fogão por dentro

Remoção da chapa de ferro fundido

Remoção das tampas do cinzeiro e entrada de ar

     O nosso fogão originalmente, era revestido com tijolos comuns de barro. Por possuir baixo poder de armazenamento e refração de calor, optamos por remover todo o revestimento original e colocar revestimento novo, feito com tijolos refratários.

Remoção da grelha e revestimento interno

Início da montagem do revestimento

     Um fogão foguete possui uma característica básica, que é seu formato em "L", que aumenta a eficiência da queima, permitindo que um pequeno turbilhão de ar se forme em seu interior, devolvendo a fumaça para o fogo, requeimando alguns de seus gases e vapores de água, fato que leva ao desaparecimento da fumaça comum na queima de lenha.

Novo túnel de queima

     Além dos tijolos refratários, utilizamos muita cinza de lenha para trabalhar como isolante térmico. A madeira que aparece na imagem, ficou ali apenas para sustentar o túnel de tijolos até que o cimento estivesse completamente seco. Quando isso ocorreu, a madeira foi retirada, permitindo a livre passagem de ar.

Vista superior 

     Quando o cimento secou, a tampa de ferro fundido foi recolocada e o fogão foi remontado na sala de nossa casa, recebendo o conjunto restante da chaminé. 

Aspecto final depois de reformado

Como ficou depois

Veja o fogão em funcionamento: Vídeo 01 Vídeo 02