Entre as águas os bambus e as jussaras

Há aproximadamente dez anos atrás, o então apenas Sítio Jaguatirica iniciou seu trabalho de reflorestamento, tendo em vista que até ali, suas atividades anteriores eram de cultivo de lavoura. Uma grande parte de área de lavoura, foi deixada em pousio, enquanto o sítio foi inscrito em um programa do estado do Paraná para recuperação de mata ciliar. 

É importante ressaltar que todas as araucárias haviam sido cortadas pelos proprietários anteriores, o que significava que o trabalho de reflorestamento a ser desenvolvido não seria nada fácil e demandaria dedicação constante se quiséssemos recuperar e estruturar a floresta ombrófila mista com suas árvores clímax. Enquanto o trabalho de plantio de mudas havia começado em pequena escala, inesperadamente e por força do destino, chegou ao sítio uma carreta com 5 mil mudas de espécies nativas do programa mata ciliar. Naquela época não imaginávamos que nos tornaríamos a Estação Jaguatirica de Permacultura e resolvemos plantar as mudas, trabalho que durou mais de três meses e se estende até hoje. Também iniciamos o plantio de pinhão em saquinhos, para que se tornassem mudas e posteriormente fossem para o meio da mata.

Ao mesmo tempo, iniciamos algumas experiências, como a de plantar também, mudas de palmeira jussara (da floresta ombrófila densa), bambus e outras espécies de interesse. O reflorestamento foi focado nas áreas de preservação permanente e encostas mais degradadas. 

Dendrocalamus Asper - 1° Broto

Durante esta empreitada, resolvemos plantar muitas mudas ao redor de um antigo afloramento freático. Hoje, este afloramento possui em seu redor, diversas árvores nativas da floresta de araucária, tendo algumas delas mais de 6 metros de altura. Inacreditavelmente o afloramento está dando sinais de querer virar um curso de água permanente. Seguiremos observando-o durante o período de estiagem pois agora durante as chuvas, ele transbordou e umedeceu  a superfície que o cerca, com sua água timidamente escorrendo para a parte baixa do terreno.

Muda de Jussara plantada há 6 anos pelo amigo Pinho

As araucárias já demonstram possuir 10 andares de ramificação de galhada, e, em meio à mata a fauna dá sinais de retomada de sua presença. No último final de semana encontramos trilhas de tatus e fotografamos um pica-pau de cabeça vermelha.

Muda de Phillostachys Nigra

Outra experiência que está sendo feita, é o investimento no plantio de diversas espécies de bambus. Acima vemos a foto de uma muda alastrante, com seu colmo negro, característica de baixo teor de amido. Abaixo podemos ver uma muda de Guádua Angustifolia, espécie entoucerante e de colmos de até 15cm de diâmetro.

Guádua Angustifolia

Hoje a Estação Jaguatirica de Permacultura conta com as seguintes espécies plantadas de Bambu: Dendrocalamus Asper, Guádua Chacoensis, Guádua Angustifolia, Bambusa Tuldoides, Bambusa Oldhami, Bambusa Multiplex, Philostachys Pubescens e Philostachys Nigra

Infelizmente ainda não temos mudas para a venda e nem fazemos comercialização de varas, trata-se apenas de um investimento para o futuro, afinal, o bambu é a madeira do futuro. O trabalho não para, e a todo momento ele continua. E você, já iniciou o seu?



Duplicação das mandaçaias

     Apesar das chuvas intensas estamos na primavera, temporada de floradas e de famílias de meliponídeos procurarem novas casas. Este é o período ideal para duplicarmos nossas caixas de mandaçaias. Para o processo, utilizamos álcool de cereais com própolis de mandaçaia diluído, para deixar a nova caixa com o cheiro da colônia que ali será instalada.

Discos na caixa "mãe"

     Na imagem acima, podemos ver discos claros, onde as meliponas que irão nascer, já estão grandes. Temos esta informação pois discos claros, significam que o mel interno já foi quase todo consumido. Estes são os discos ideais para serem removidos e colocados na caixa nova, que será colonizada.

Discos sendo colocados na caixa nova


     Os discos devem ser colocados na caixa nova, separados por bolinhas de cera que permitirão às operárias transitarem entre os discos. É importante relatar, que foi nesta caixa nova que foi passado o álcool de cereais com o própolis diluído. Esta caixa será então colocada exatamente no local da caixa "mãe". Desta maneira, as operárias campeiras irão retornar ao local de onde saíram, irão entrar e perceber que não há mais uma rainha (pois esta estará na caixa "mãe' que foi removida. Irão então trabalhar para que uma princesa receba geleia real, faça o vôo nupcial, seja fecundada por zangões, retorne para a caixa nova e se torne rainha.

Operárias campeiras reconhecendo a nova caixa


     Durante o processo da para aproveitar a oportunidade para tomar mel, coletar própolis e educar as crianças sobre a importância de mantermos estes insetos vivos em nosso sistema.

Tomando mel sem receio de ferroadas.


Própolis sendo coletado

     Após as trocas de caixas, a caixa mãe foi levada para um lugar distante para não haver problemas. Neste caso optamos por levá-la até o meio da área de colheita de erva mate e perto também da plantação de morangos.

Rodriguinho cobrindo a caixa mãe no seu novo local

Curso de Permacultura e Sistemas Agroflorestais


Durante os dias 31 de outubro, 1 e 2 de novembro, a Nova Oikos em parceria com o IPEPA, promoveu o curso e vivência prática de Permacultura e Sistemas Agroflorestais, realizado em Balneário Camboriú\SC. O curso foi facilitado por Alan Silveira, Felipe Siedlecki, Martin Ewert, Mildred Gustack Delambre e Rafaelle Mendes. 




O conteúdo abordado foi: Ciclagem de nutrientes; Formação do solo; Sucessão Ecológica; Estratos; Funcionamento da Floresta; Introdução a Permacultura; Cuidados, manutenção e uso correto de ferramentas; Leitura da paisagem; Preparo do adubo orgânico fermentado tipo Bokashi; Design permacultural; Design para espaços produtivos na Zona 1 e 2; Implantação do setor agrofloresta; Manejo de canteiros. 

Além desses conceitos apresentados acima, os alunos realizaram um exercício de design da propriedade com o intuito de implantar uma agrofloresta na Zona 2 da estação de permacultura Nova Oikos. O resultado desse planejamento foi a recuperação de uma área degradada por meio de um canteiro agroflorestal com aproximadamente 100 metros de comprimento. Nesse local foram cultivados mais de 30 espécies de mudas frutíferas e sementes diversas seguindo a premissa que diversidade gera estabilidade.  

A primeira lógica da agrofloresta é plantar 100 vezes mais do que vai virar planta adulta. Depois é feito o manejo e poda para gerar biomassa e melhorar a fertilidade do solo. Os berços foram preparados com o Bokashi, serrapilheira, troncos de madeira e mulch, que tem rápida decomposição e servem para proteger as mudas e sementes, bem como servem de alimento para as plantas cultivadas se desenvolverem.


Confira algumas imagens clicadas pela Rafaelle Mendes:






















Reforma do Paiol de Tela

Lembram-se de nosso paiol de tela? Pois é, as chuvas e fortes rajadas de vento o danificaram e ele precisou de uma reforma. A estação de Permacultura Jaguatirica fica no alto de uma colina, fator que potencializou a baixa vida útil do paiol. Mas isto não foi motivo para lamentações, e sim para aprendizado, planejamento e ação rápida pois ainda há milho para armazenar e logo teremos nova safra de milho crioulo que já está semeada na terra.

Foto do paiol que durou 04 anos

Desta vez o mesmo paiol teve sua estrutura de base mantida e a sua cobertura foi rebaixada. A base mantida foi devido ao fato de bons palanques de imbuia permanecerem intactos, já os pilares e a cobertura foram reforçados com madeiras nobres de demolição que arrematamos em um grande lote. Optamos por colocar telha de 06 mm de fibrocimento, para evitar danos com os pedras grandes de granizos que estão caindo na região. Para finalizar pintamos as madeiras com óleo queimado. As telhas mais fortes permitiram o beiral mais largo, para proteger do Sol e da chuva que poderiam incidir diretamente, prejudicando a qualidade de armazenamento.


Paiol Reformado

A pesar da reforma, o princípio de não aquecer o milho e boa ventilação foram mantidos com as paredes de tela. A elevação do chão e as laterais de tambores também foram preservadas, para evitar o acesso aos grãos e a consequente proliferação de roedores na estação. Continuem conectados pois em breve teremos mais postagens.

Proteção contra Roedores

Escada móvel

Piso e parede ventilada

1° PDC do IPEPA e Nova Oikos

Nos dias 18 a 26 de Julho, o Instituto de Permacultura do Paraná (Ipepa) em parceria com a Nova Oikos Permacultura e decrescimento, realizou em Curitiba na WakeUp Colab, o curso de formação de Permacultores (PDC). E como resultado disso, temos uma turma de permacultores conscientes e engajados na construção de um mundo melhor.




Durante os dias de curso , os facilitadores Mildred Delambre, Martin Ewert, Rafael Cabreira, João Paulo Santana e Rafaelle Mendes, abordaram temas relacionados aos princípios da permacultura e design permacultural, como o funcionamento dos sistemas naturais, ecologia cultivada, padrões da natureza, análise de elementos, arquitetura apropriada, gestão de água e energia na paisagem, sistemas agroflorestais, economia solidária, estruturas invisíveis, dragon dreaming, entre outros. Além das atividades práticas de cultivo e compostagem – compreendendo uma carga horária de 80 horas e seguindo fielmente a ementa do Syllabus.



Este PDC aconteceu em meio urbano e para garantir o processo de certificação, os alunos assistiram a 100% do curso e, como já é de praxe, ao fim criaram e apresentaram um projeto de design em grupo para o Parque Gomm e para a Casa colaborativa Wake Up.



Para nós, ser permacultor obviamente significa aprender a ler e entender a natureza, os ecossistemas, sistemas naturais, água, solo, plantas, animais, cultivar o próprio alimento! E ainda, aprender a ler e entender as abstrações humanas, como ambiente, comunidade, educação, economia. Muito além do conceito de sustentabilidade, é buscar um novo jeito de co-criar com o planeta, uma sociedade que seja, justa, equilibrada, divertida, dinâmica, integrada, consciente e saudável.



Se interessou pelo assunto, então fique atento, em breve faremos outro PDC.



Vão os pinhões e chegam os morangos!

Olá pessoal.

É com saudade que anunciamos o fim da temporada de pinhão no centro sul do Paraná, e a chegada do início da safra do morango.


O início da safra de pinhão, é considerado a partir de 23 de março, dia conhecido popularmente por ser considerado o dia de São José. Por este motivo, os primeiros pinheiros a desfalharem suas pinhas, são chamados de pinheiro São José, com pinhões menores porém saborosos. Já no mês de agosto, os pinheiros que produzem pinhões mais tardiamente, são chamados de pinheiros caiuvá, com sementes de maior tamanho e igualmente deliciosos.

Pinhões Caiuvá

Ao fim do inverno, iniciam os plantios de mudas de morango, que florescem e produzem durante o período de verão. Uma parceria entre as estações Juaguatiria e Cruvatã de permacultura, está resultando em uma bela safra de morangos orgânicos, que ainda promete bons frutos pois está apenas iniciando.

Plantio elevado na estação Cruvatã

As mudas de morango florescendo na estação Cruvatã

Morangos amadurecendo.


Morangos congelados na estação das Araucárias

Os morangos colhidos estão sendo congelados para o preparo de doces e geleias, além é claro, de saborosos sucos.

Espaço Bioconstruido

     A meditação é uma das práticas mais importantes na Estação Nhanderú Eté, em Campina Grande do Sul -PR. Por este motivo, um salão destinado a esta prática, era de suma importância para as pessoas que frequentam o lugar.

Foto: Soraya Molina

     Com a perspectiva de utilizar o máximo possível materiais encontrados no local, o salão de meditação incorporou em suas paredes o barro da região, que associado à madeira, deu ao projeto uma característica marcante e aconchegante ao ambiente. Abaixo, foto tirada do interior do salão, onde é possível visualizar as paredes feitas em terra e a estrutura da edificação.

Foto: Soraya Molina

     A forma da estrutura de cobertura, é conhecida como vigas recíprocas ou vigamento recíproco, onde uma madeira dá suporte à distribuição de carga da outra e literalmente a expressão "onde todos trabalham, todos trabalham menos" acontece, como pode ser visto abaixo.

Foto: Soraya Molina

     E para finalizar a ecologia aplicada ao projeto, o telhado utiliza terra e grama ao invés de telhas cerâmicas. Se as cidades utilizassem esta tecnologia, diminuiriam as ilhas de calor urbano, auxiliando na economia de energia elétrica durante o verão pois a cidade ficaria mais fresca, e o interior da edificação também pois o telhado vivo é um excelente isolante térmico.

 Foto: Soraya Molina

     O telhado jardim ou laje jardim como também é chamado, pode ajudar no controle das enchentes nas grandes cidades, por funcionar como uma esponja e segurar a água após a chuva, fazendo com que a mesma demore para chegar aos rios assoreados e canalizados dos grandes centros urbanos. O albedo, que é o índice de raios solares que são refletidos para a atmosfera e contribuem para o aumento do efeito estufa, também diminuiria, isto tudo, além de ser um telhado paisagístico que sequestra carbono e não usa telhas queimadas em fornos com queima de combustíveis.