Reforma do Paiol de Tela

Lembram-se de nosso paiol de tela? Pois é, as chuvas e fortes rajadas de vento o danificaram e ele precisou de uma reforma. A estação de Permacultura Jaguatirica fica no alto de uma colina, fator que potencializou a baixa vida útil do paiol. Mas isto não foi motivo para lamentações, e sim para aprendizado, planejamento e ação rápida pois ainda há milho para armazenar e logo teremos nova safra de milho crioulo que já está semeada na terra.

Foto do paiol que durou 04 anos

Desta vez o mesmo paiol teve sua estrutura de base mantida e a sua cobertura foi rebaixada. A base mantida foi devido ao fato de bons palanques de imbuia permanecerem intactos, já os pilares e a cobertura foram reforçados com madeiras nobres de demolição que arrematamos em um grande lote. Optamos por colocar telha de 06 mm de fibrocimento, para evitar danos com os pedras grandes de granizos que estão caindo na região. Para finalizar pintamos as madeiras com óleo queimado. As telhas mais fortes permitiram o beiral mais largo, para proteger do Sol e da chuva que poderiam incidir diretamente, prejudicando a qualidade de armazenamento.


Paiol Reformado

A pesar da reforma, o princípio de não aquecer o milho e boa ventilação foram mantidos com as paredes de tela. A elevação do chão e as laterais de tambores também foram preservadas, para evitar o acesso aos grãos e a consequente proliferação de roedores na estação. Continuem conectados pois em breve teremos mais postagens.

Proteção contra Roedores

Escada móvel

Piso e parede ventilada

1° PDC do IPEPA e Nova Oikos

Nos dias 18 a 26 de Julho, o Instituto de Permacultura do Paraná (Ipepa) em parceria com a Nova Oikos Permacultura e decrescimento, realizou em Curitiba na WakeUp Colab, o curso de formação de Permacultores (PDC). E como resultado disso, temos uma turma de permacultores conscientes e engajados na construção de um mundo melhor.




Durante os dias de curso , os facilitadores Mildred Delambre, Martin Ewert, Rafael Cabreira, João Paulo Santana e Rafaelle Mendes, abordaram temas relacionados aos princípios da permacultura e design permacultural, como o funcionamento dos sistemas naturais, ecologia cultivada, padrões da natureza, análise de elementos, arquitetura apropriada, gestão de água e energia na paisagem, sistemas agroflorestais, economia solidária, estruturas invisíveis, dragon dreaming, entre outros. Além das atividades práticas de cultivo e compostagem – compreendendo uma carga horária de 80 horas e seguindo fielmente a ementa do Syllabus.



Este PDC aconteceu em meio urbano e para garantir o processo de certificação, os alunos assistiram a 100% do curso e, como já é de praxe, ao fim criaram e apresentaram um projeto de design em grupo para o Parque Gomm e para a Casa colaborativa Wake Up.



Para nós, ser permacultor obviamente significa aprender a ler e entender a natureza, os ecossistemas, sistemas naturais, água, solo, plantas, animais, cultivar o próprio alimento! E ainda, aprender a ler e entender as abstrações humanas, como ambiente, comunidade, educação, economia. Muito além do conceito de sustentabilidade, é buscar um novo jeito de co-criar com o planeta, uma sociedade que seja, justa, equilibrada, divertida, dinâmica, integrada, consciente e saudável.



Se interessou pelo assunto, então fique atento, em breve faremos outro PDC.



Vão os pinhões e chegam os morangos!

Olá pessoal.

É com saudade que anunciamos o fim da temporada de pinhão no centro sul do Paraná, e a chegada do início da safra do morango.


O início da safra de pinhão, é considerado a partir de 23 de março, dia conhecido popularmente por ser considerado o dia de São José. Por este motivo, os primeiros pinheiros a desfalharem suas pinhas, são chamados de pinheiro São José, com pinhões menores porém saborosos. Já no mês de agosto, os pinheiros que produzem pinhões mais tardiamente, são chamados de pinheiros caiuvá, com sementes de maior tamanho e igualmente deliciosos.

Pinhões Caiuvá

Ao fim do inverno, iniciam os plantios de mudas de morango, que florescem e produzem durante o período de verão. Uma parceria entre as estações Juaguatiria e Cruvatã de permacultura, está resultando em uma bela safra de morangos orgânicos, que ainda promete bons frutos pois está apenas iniciando.

Plantio elevado na estação Cruvatã

As mudas de morango florescendo na estação Cruvatã

Morangos amadurecendo.


Morangos congelados na estação das Araucárias

Os morangos colhidos estão sendo congelados para o preparo de doces e geleias, além é claro, de saborosos sucos.

Espaço Bioconstruido

     A meditação é uma das práticas mais importantes na Estação Nhanderú Eté, em Campina Grande do Sul -PR. Por este motivo, um salão destinado a esta prática, era de suma importância para as pessoas que frequentam o lugar.

Foto: Soraya Molina

     Com a perspectiva de utilizar o máximo possível materiais encontrados no local, o salão de meditação incorporou em suas paredes o barro da região, que associado à madeira, deu ao projeto uma característica marcante e aconchegante ao ambiente. Abaixo, foto tirada do interior do salão, onde é possível visualizar as paredes feitas em terra e a estrutura da edificação.

Foto: Soraya Molina

     A forma da estrutura de cobertura, é conhecida como vigas recíprocas ou vigamento recíproco, onde uma madeira dá suporte à distribuição de carga da outra e literalmente a expressão "onde todos trabalham, todos trabalham menos" acontece, como pode ser visto abaixo.

Foto: Soraya Molina

     E para finalizar a ecologia aplicada ao projeto, o telhado utiliza terra e grama ao invés de telhas cerâmicas. Se as cidades utilizassem esta tecnologia, diminuiriam as ilhas de calor urbano, auxiliando na economia de energia elétrica durante o verão pois a cidade ficaria mais fresca, e o interior da edificação também pois o telhado vivo é um excelente isolante térmico.

 Foto: Soraya Molina

     O telhado jardim ou laje jardim como também é chamado, pode ajudar no controle das enchentes nas grandes cidades, por funcionar como uma esponja e segurar a água após a chuva, fazendo com que a mesma demore para chegar aos rios assoreados e canalizados dos grandes centros urbanos. O albedo, que é o índice de raios solares que são refletidos para a atmosfera e contribuem para o aumento do efeito estufa, também diminuiria, isto tudo, além de ser um telhado paisagístico que sequestra carbono e não usa telhas queimadas em fornos com queima de combustíveis.

Aberta temporada de plantios - Estação Borá

Foi próximo ao final de agosto que a chuva deu sinal aqui no norte do Paraná. Germinando então os ânimos para iniciar mais uma temporada de plantios aqui na Estação Agroecológica Borá. Iniciamos com a regularização de uma não conformidade que apresentamos durante nosso processo de certificação orgânica. Após retirar todas as plantas da beira da estrada municipal enfim realizamos o plantio de napie por toda extensão da propriedade. 

Cerca viva de napie crescendo.
Foto: Fábio Rocha
Cumprindo papel de cerca viva e quebra ventos. Resolvemos optar pelo plantio dessa variedade por sugestão do nosso consultor e também por que não poderíamos manter nenhuma variedade que explorássemos comercialmente ( havia café, medicinais, frutíferas...) Então foi a vez de plantar feijão caupi nas entre linhas de café. Após germinarem e estarem com cerca de 20 cm entramos com o plantio de milho crioulo nos espaços entre o feijão.

Limpeza do feijão caupi.
Foto: Renata Lais Rocha.
Vamos aguardar e ver como vão se comportar. Na entrelinha do café de outro talhão, também realizamos um canteiro com mandioca, milho e feijão. 

Mandioca Milho e feijão nas entrelinhas de café.
Foto: Fábio Rocha.
Outra atividade que realizamos foi o feitio de Biofertilizante enriquecido com Super Magro. Receita que tomamos conhecimento através da cartilha da Jornada de Agroecologia. 

Biofertilizante enriquecido - Supermagro
Foto: Fábio Rocha
O Super Magro é um conjunto de micronutrientes que enriquece o fertilizante. Estamos compostando o esterco com melado e leite e de acordo com a receita acrescentando nutrientes e alimentos. Será este o nosso fertilizante desta temporada. Rotacionamos cultura também em um setor que plantamos milho crioulo para ensilagem na temporada de inverno passado. Realizamos o plantio por estes dias. Foi um coquetel composto por girassol, guandu, caupi, feijão de porco, gergelim, mucuna preta e cinza. Foi realizado plantio a lanço. Aproveitamos para realizar o restauro das curvas de níveis deste setor. Abrimos mais uma área de implantação agroflorestal. Desta vez foi feito mecanicamente e a intenção e experienciar a técnica de plantar morro acima, com o objetivo de operar com maquinas em todo manejo (roçadas, pulverizações e incorporações na terra) No dia de hoje realizamos o plantio no intervalo da chuva. O coquetel deste plantio foi: mamona, margaridão, leucena, pau-jacaré e angico. Estamos iniciando o manejo de verão do café agroflorestal em conjunto com o andamento das atividades. É um pouco mais delicado e moroso, pois entramos primeiro com uma roçada, para então entrar com facão e realizar os manejos necessários. Tudo o quanto é anual estamos deitando no chão, restando apenas as perenes. Destaque especial para as bracatingas que se adaptaram muito bem e já passam dos 5 metros apesar dos seus 3 anos de plantios. 

Setor Agroflorestal 01 - Café, noz pecã, bracatinga, eucalipto e adubo verde.
Foto: Fábio Rocha.
As próximas etapas para este setor agroflorestal e realizar plantios de mudas que estão no viveiro aguardando a vez. Estão na fila banana, ipê, aroeira, leucena, bambu... O planejamento é  entrar com a fertilização com pó de carvão e Biofertilizante em conjunto com a calda bordalesa após os manejos finalizados. Por enquanto nossa atualização é esta. Juntamente com a satisfação de dormir sabendo que nossa parte fizemos (que é plantar) agora é zelar e permanecer agradecendo ao Criador por cada benção.

Participação em Cursos



Aconteceu nos dias 12, 13 e 14 de Agosto /2014 no espaço da Nova Oikos - Permacultura & Decrescimento, em Camboriú, SC, o curso internacional:

MANEJO HOLÍSTICO DE PROPRIEDADES - GESTÃO AGROSUSTENTÁVEL


Ministrado pelo Eng. JAIRO RESTREPO RIVERA divulgador e consultor internacional em agricultura orgânica, proteção ambiental, análises cromatográficas de solos, reciclagem e desenvolvimento rural sustentável com mais de 30 anos de experiência e mais de 750 conferências e inúmeras publicações nesta área.


Foto: Rafael Cabreira

Os participantes e os integrantes do IPEPA puderam ampliar seus conhecimentos e experiências em diversos assuntos, dentre alguns se destacaram:
  • Desafios enfrentados na transição de sistemas de produção rural "convencionais" para orgânicos;
  • Desmistificação dos benefícios da certificação;
  • Manejo de pomares, pastagens e bosques;
  • Manejo de animais e produção de insumos;
  • Bocashi e biofertilizantes;
  • Viveiros de mudas e produção orgânica;
  • Agrotecnologia, economia rural, ecologia, políticas publicas, sociologia, etc.




Foto: Rafael Cabreira

O evento contou com a organização do Grupo PANGEA - Gestão Holística


Informações gerais:




Foto: Rafael Cabreira

Programação do curso:

1º dia
Introdução à  Agricultura Orgânica: os desafios de "La Pachita" (propriedade familiar).

Desafios da transição: estudo de caso com pomares orgânicos, produção de insumos próprios, viveiros produtivos e arrozeiras. 

2º dia
Visita técnica: Espaço Rural Panaceia - Limeira, Camboriú, SC. Propriedade familiar: sonhos, produção e sustentabilidade. Dados gerais da propriedade, dados técnicos para avaliação de caso e análise dos dados.

3º dia
Integração e construção das propostas, apresentação, discussão e análise dos ressultados.

Estiveram presentes no evento: Deives Maikel, Eng. Agrônomo, Permacultor e Consultor do MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores); Guilber Wistuba, Turismólogo e Permacultor; e Rafael Cabreira, Zootecnista e Consultor em Permacultura. 

Abelhas sem ferrão

Também conhecidas como abelhas indígenas, estas "abelhinhas" na verdade se dividem em duas categorias, as meliponas ou meliponídeos e as trigonas ou trigonini. Nativas das florestas de todo o mundo, caracterizam-se por habitarem ocos de árvores, produzirem um mel medicinal de sabor e textura diferentes do mel das abelhas africanas ou africanizadas que possuem ferrão (apis melífera).

Nós do IPEPA, difundimos a prática da parceria com estes maravilhosos bichinhos, pois entendemos que esta "simbiose" apresenta inúmeros benefícios. Primeiramente é preciso observarmos e descobrir quais tipo de abelhas nativas existem em nossas biorregiões, para não introduzirmos uma espécie que terá dificuldades em se adaptar em nosso bioma. Depois recomendamos muita leitura, visualizações de vídeos na internet, e o mais importante; Participar de um curso de capacitação, antes de sair por aí atrás de lidar com as amiguinhas.

     Em São João do Triunfo, aconteceu dos dias 27 a 30 de Julho um curso de Meliponicultura, no Sítio Estância Marrizinha, localizado na comunidade de Pinhalzinho. Na ocasião participaram Permacultores da Estação Jaguatirica e da Estação Cruvatã de Agoecologia. Abaixo postamos algumas imagens da Estação Jaguatirica de Permacultura.

     Na imagem de cima, podemos ver em primeiro plano, uma parte de nossa estação de tratamento de esgoto com plantas. Já no segundo plano à direita, está uma de nossas caixas de abelhinhas nativas da espécie mandaçaia. Ao fundo como vocês podem perceber, está a nossa agrofloresta composta por erva-mate, butiás, araucárias, cerejeiras e outras espécies nativas de nossa flora. Tais espécies de plantas, combinadas com as abelhas nativas, reproduzem o ecossistema local como ele realmente é, implantando assim na Estação de Permacultura, o conceito de Floresta Produtiva, conhecido como Agrofloresta.


     Ao aproximarmos, percebemos a base de sustentação e uma garrafinha utilizada para combater o forídeo, inimigo número um das abelhinhas indígenas. Ali será colocado o vinagre de maçã, que servirá de atrativo ao mosquitinho indesejado.


     Observe que a caixinha é parafusada nesta base de metal que está concretada dentro do cano, para evitar que eventuais pessoas ou animais silvestres e domésticos derrubem a caixa do lugar.


     Ao abrirmos a caixinha, na divisória direita, encontramos os invólucros de cera e os discos de postura. Não é possível ver as abelhas pois demoramos um pouco para bater a foto e elas se esconderam.


     Já à esquerda da caixinha, encontramos as melgueiras e potes de pólen. Veja que em ambos os lados há bastante própolis cristalizado nas bordas para vedar as aberturas da caixa e proteger o enxame.

     Nesta imagem o nosso amigo engenheiro agrônomo Deives, que também é agroecologista, está instalando uma isca para recepcionar os futuros enxames que por ventura as abelhinhas nativas venham a soltar pela floresta. Depois deste recipiente, elas serão colocadas em uma caixinha de madeira para facilitar a manutenção.

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